FSM - "Mulheres e crianças africanas são as principais vítimas dos conflitos"

Mais Lidos

  • Bayer escolhe Brasil para estrear complemento a agrotóxico mais polêmico do mundo

    LER MAIS
  • Brasil detém a segunda maior reserva global de terras raras conhecidas no mundo. Exploração desses recursos naturais estará em pauta nas eleições presidenciais deste ano, observa o geógrafo

    Terras raras e a transformação do Brasil em periferia extrativa global. Entrevista especial com Ricardo Assis Gonçalves

    LER MAIS
  • Na semana do Dia das Mães, a pesquisadora explica como o mercado de trabalho penaliza mulheres chefes de família com filhos e sem cônjuge

    Mães solo e os desafios do cotidiano: dificuldades e vulnerabilidades nos espaços públicos. Entrevista especial com Mariene de Queiroz Ramos

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

12 Fevereiro 2011

Uma das líderes feministas e filha da África, a estudiosa nigeriana Amina Mama disse que o militarismo está à espreita, principalmente em países como Serra Leoa e Libéria. Ela diz que a guerra e os conflitos estão afetando especialmente as mulheres e as crianças, que são vulneráveis.

A reportagem é de Thandi Winston, da IPS, e publicada pela Agência Envolverde, 10-02-2011.

Amina falou à IPS durante o Fórum Social Mundial, sobre o militarismo no continente e sobre os debates feministas deste ano no Fórum.

“As mulheres e as crianças se tornaram as principais vítimas dos conflitos, não importa se é chamado de conflito pós-colonização ou não, e eu acredito que os interesses corporativos insuflaram os conflitos”, disse ela.

As violações dos direitos humanos inflingidas às mulheres durante os conflitos foram devastadoras. Em uma pesquisa de 1999, realizada com as mulheres de Ruanda como parte da iniciativa militarista do Fundo Global para Mulheres (GFW), 39% declararam terem sido estupradas durante o genocídio de 1994, e 72% disseram que conheciam alguém que havia sido estuprada.

Em uma pequena amostra das 388 refugiadas liberianas vivendo nos acampamentos em Serra Leoa, três quartos delas declararam terem sofrido abusos sexuais antes de serem expulsas de suas casas na Libéria. O GFW acredita que mais da metade delas sofreram violências sexuais desde a expulsão.

Das mulheres deslocadas na África, entre 50 mil e 64 mil foram alvos de violência sexual durante o longo conflito armado de Serra Leoa.

Amina, que é fundadora do primeiro jornal acadêmico feminista africano, “Feminist Africa”, atualmente preside o conselho do Fundo Global para as Mulheres, que faz doações para organizações mundiais lideradas por mulheres.

“Houve algumas mudanças na natureza dos conflitos e das guerras em algumas partes da África”, ressaltou ela, e “estas mudanças estão levando a um tipo particular de policiamento, vigilância e de violência contra a mulher. Estão se acumulando com o passar do tempo”.

“O Congo é um exemplo, se você rastrear no passado a violência e os estupros, verá que começaram durante o período colonial. Era prática corrente”, explicou.

“E hoje os homens absorveram essa cultura e a missogenia que o militarismo ocidental lhes ensinou.”

Amina está atualmente trabalhando com ativistas africanas na Nigéria, Serra Leoa e Libéria para desenvolver um entendimento claro sobre o impacto dos conflitos armados nas mulheres e crianças.